“Não sabia que cabia tanta falsidade dentro das pessoas.
“- Depois que eu fui embora, você foi feliz?
Me recordei dos choros, sofrimentos, loucuras e aquela vontade de morrer por sentir falta. Mas apenas virei para ele com um sorriso de indiferença e disse:
- Muito, muito feliz.
“Não confio em quem não olha nos olhos e abraça mole. Acho que falta mais olho no olho na vida. As pessoas mal se olham nos olhos, mal se cumprimentam, mal se beijam. Selinho é bom, mas beijo de língua é melhor ainda. Tapinha no ombro não me seduz, gosto mesmo é de abraço apertado, abraço quentinho, abraço bem abraçado. Não gosto de quem oferece o rosto, gosto do barulhinho do beijo estalando na bochecha, todo oferecido, bem exibido. As pessoas ficam hesitando, não querem se dar. Mas a gente tem que se dar por inteiro. Ficam nesse vou-não-vou, quero-não-quero. Tem que querer, rir, ir. Sem medo, sem cobrança, sem procurar motivos. Mesmo porque os motivos só aparecem bem lá na frente. Uma hora a vida resolve nos dar explicações, mas não tente procurar agora, esse não é o momento. Não dá pra ficar se questionando. Eu sei, sei que a gente questiona, que os pontos de interrogação rondam a cabeça e o coração. Mas sossega, aquieta o pensamento, deixa os sentimentos chegarem, ficarem, se instalarem. Para, então, você viver de forma mais plena e feliz.
“Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais. Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes, ler mais. Sair mais. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinha, quero ter momentos de paz. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Quero ser feliz, quero sossego. Quero me olhar mais. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais. Não quero esperar mais. Quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero ousar mais. Experimentar mais. Quero menos ”mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
“Nunca fui de sentir muito, ou melhor, nunca fui de demonstrar o que sentia. Sempre achei melhor esconder, fingir que não estava mal, sorrir e deixar pra ficar triste em casa, sozinho. Sempre achei que seria melhor assim, sem ninguém por perto, sem pessoas perguntando o que tinha acontecido… O problema que isso cansa, uma hora você não aguenta mais e então, você chora.